Inaugurado o Comitê de Belterra

Fonte: Sim Tapajós

Comitê de Belterra

O município de Belterra realizou no último domingo (31/07) a inauguração do Comitê Municipal Pró-Estado do Tapajós (COMPET). O evento festivo incentivou a população a participar da campanha do “SIM”. Representantes do Instituto Cidadão Pró-Estado do Tapajós (ICPET), estiveram no evento, coordenado pelo movimento local.

Para o prefeito de Belterra Geraldo Pastana, esse é o momento histórico, segundo ele, todos devem trabalhar para um resultado positivo. Pastana fez um desafio, convocou os moradores para se unirem na campanha. “Assumo um compromisso com todos os moradores de Belterra a achar três pessoas que ainda não estão convencidas a respeito da criação do Estado do Tapajós, mostrando a elas os benefícios para a região” enfatizou.

Um dos coordenadores do comitê da cidade de Manaus Eduardo Paiva, conterrâneo de Belterra, esteve no evento para falar da importância do trabalho. “É muito importante estarmos realizando essas visitas nos municípios do Oeste do Pará mobilizando a população para a criação do estado do tapajós”.

O vice-coordenador do ICPET de Santarém Francisco Lopes e o secretario Edinaldo Rodrigues, parabenizaram a iniciativa das lideranças políticas na organização do evento.

A comitiva do ICPET estará durante o mês de agosto realizando instalações de comitês municipais. Cada um, dos 27 municípios terá um COMPET coordenando a campanha local, juntamente com o ICPET.

Garantido 2011

Vermelho Garantido

Murilo Maia / Jacyara Oliveira

 

 

 

ôôôôôô élélélélélé ôôô

uôôôôô Boi Garantido meu amor

uôôôôô élélélélélé ôôô

uôôôôô Boi Garantido meu amor

 

Sou vermelho e branco sou paixão

Garantido é tradição

Emociona os corações

O vermelho traz a emoção

Não existe solidão

Em meio essa galera linda do meu boi

 

Vermelho é amor

Vermelho é paixão

Vermelho é a cor

Do boi Garantido meu boi campeão (2x)

 

Solta o grito minha galera vermelha

Jogue os braços para o ar, para o ar

Quanta energia vem dessa galera

O vermelho eu vou cantar, vou cantar…

Diga SIM ao Estado do Tapajós

Duda Mendonça diz “sim” ao Tapajós

Duda Mendonça, segundo revelou ao blog o vereador Reginaldo Campos (PSB), além do plebiscito pró-Carajás, topou também dirigir a campanha do SIM à criação do estado do Tapajós.

O publicitário deverá vir a Santarém para fechar a parceria.

Estado do Tapajós: População diretamente interessada, o que é?

Por Carlos Emídio P. Linhares (Servidor Público)

A Constituição Federal de 1988, em seu artigo 18, parágrafo 3.º, determina que:

“Os Estados podem incorporar-se entre si, subdividir-se ou desmembrar-se para se anexarem a outros, ou formarem novos Estados ou Territórios Federais, mediante aprovação da população diretamente interessada, através de plebiscito, e do Congresso Nacional, por lei complementar.”

A Lei 9.709/98, que regulamenta a execução do disposto nos incisos I, II e III do art. 14 da Constituição Federal, no artigo 7.º, determina que:

“Nas consultas plebiscitárias previstas nos arts. 4o e 5o entende-se por população diretamente interessada tanto a do território que se pretende desmembrar, quanto a do que sofrerá desmembramento; em caso de fusão ou anexação, tanto a população da área que se quer anexar quanto a da que receberá o acréscimo; e a vontade popular se aferirá pelo percentual que se manifestar em relação ao total da população consultada.”

A primeira parte do referido artigo da lei citada obstrui o desmembramento de Estados e Territórios, uma vez que, ao definir o que se entende por população diretamente interessada, inviabiliza o plebiscito, pois contraria as etapas previstas no parágrafo retro:

1. Consulta, via plebiscito, da população diretamente interessada;

2. Consulta, via oitiva, da Assembléia Legislativa; e

3. Aprovação do desmembramento, via Lei Complementar do Congresso Nacional.

O artigo 7.º indica que o legislador ordinário, ao dizer o que se deve entender por população diretamente interessada diante do desmembramento, quis dirimir uma suposta controvérsia acerca do significado e alcance da consulta plebiscitária, inclusive, contrariando o entendimento firmado pelo Supremo Tribunal Federal – STF e Tribunal Superior Eleitoral – TSE, os quais já interpretaram o questionado termo em diversas oportunidades.
Na subdivisão e na incorporação, a consulta plebiscitária é feita com TODA a população de cada um dos Estados que pretendem subdividir-se ou incorporar-se.
Já o desmembramento é totalmente diferente: apenas uma (ou mais) parte do Estado requer a redivisão do território, de modo que o restante não quer a separação. A população da parte a ser desmembrada é a diretamente interessada, pois é ela que pleiteia poderes derivados-decorrentes da Constituição Federal para constituir um novo entidade federativo.
A interpretação do termo “população diretamente interessada”, feita na primeira parte do já citado artigo 7.º, é inquinada de inconstitucionalidade, já que:

• Contraria acórdãos transitados em julgado do STF;
• Distorce, totalmente, o conceito de “população diretamente interessada”, contrariando, frontalmente, a Constituição Federal;

• Viola a soberania popular, o pressuposto mais relevante do Estado Democrático de Direito;

• Cerceia o exercício da cidadania, cláusula preambular da Carta Magna;

• Possui, literalmente, vício de natureza formal.
No dizer de José Afonso da Silva, renomado constitucionalista pátrio:

“Desmembramento de Estado, portanto, quer dizer separação de parte dele, sem que ele deixe de ser o mesmo Estado. Continua com sua personalidade primitiva, apenas desfalcado do pedaço de seu território e população separados. A parte desmembrada poderá constituir novo Estado, ou anexar-se a outro, ou formar Território Federal. População diretamente interessada, no caso, é a do território a ser desmembrado, é a do povo que quer separar-se.”

O instituto do desmembramento pode ser comparado a um pai que, com uma grande família, possui uma vasta extensão de terra. Não tendo ele condições de cuidar, sozinho, de todo o patrimônio, resolve loteá-lo parcialmente e compartilhar com cada filho um de seus lotes. Assim, poderá trabalhar a terra sem executar elevados esforços físico e material, dentre outros. Pode ser, ainda, (o instituto do desmembramento) comparado a um pai que, atendendo ao pedido de seus filhos, resolve dividir parte de seu patrimônio, objetivando que eles (seus filhos) busquem seu próprio sustento.
Portanto, (…)
(…) como os Estados, por princípio, não têm interesse em se desfazer de parte do território, consequentemente, também, não têm interesse em chamar a população para decidir em plebiscito proposta de cisão do território.
(…) não deve prosperar entre nós a tese defendida pelos “antitapajônicos” no sentido de que população diretamente interessada é tanto a do território que se pretende desmembrar, quanto a do que sofrerá desmembramento.
(…) não cabe, ainda, estender a interpretação da jurisprudência do Pretório Excelso, relativa aos municípios, para os Estados.

No Blog do Jeso

XII Maratona de Santo Antonio em Belterra-PA

Já estão abertas as inscrições para XII Maratona de Santo Antonio da cidade de Belterra/Pará. Este ano a tradicional maratona distribui mais de 15 mil reais de premiação entre as categorias PRINCIPAL (masculino e feminino) e MASTER (masculino).

MASCULINO ADULTO
1º COLOCADO: R$ 4.000,00
2º COLOCADO: R$ 2.000,00
3º COLOCADO: R$ 1.500,00
4º COLOCADO: R$ 600,00
5º COLOCADO: R$ 300,00
FEMININO ADULTO
1º COLOCADO: R$ 1.500,00
2º COLOCADO: R$ 1.000,00
3º COLOCADO: R$ 800,00
4º COLOCADO: R$ 500,00
5º COLOCADO: R$ 300,00
MÁSTER MASCULINO
1º COLOCADO: R$ 1.500,00
2º COLOCADO: R$ 1.000,00
3º COLOCADO: R$ 800,00
4º COLOCADO: R$ 500,00
5º COLOCADO: R$ 300,00
PREMIAÇÃO PARA OS BELTERRENSES QUE NÃO CHEGAREM ENTRE OS CINCO PRIMEIROS EM TODAS AS CATEGORIAS.
1º COLOCADO: UMA BICICLETA
2º COLOCADO: UM CELULAR
3º COLOCADO: UM CELULAR

Ibama concede licença de instalação para início das obras de Belo Monte

 

Órgão já havia concedido licença para o canteiro de obras.
Ibama diz que licenciamento foi marcado por ‘robusta análise técnica’.

Do G1, em Brasília

Rio Xingu, no Pará, vai abrigar hidrelétrica de Belo Monte, prevista para ser a segunda maior do país em capacidade. (Foto: Mariana Oliveira / G1)Imagem do rio Xingu, no Pará, de fevereiro de 2010;
rio vai abrigar hidrelétrica de Belo Monte, prevista
para ser a segunda maior do país em capacidade
(Foto: Mariana Oliveira / G1)

O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) informou nesta quarta-feira (1º) que concedeu a licença de instalação para o início das obras da usina hidrelétrica de Belo Monte, no rio Xingu, no Pará.

Com a licença de instalação, a obra da usina pode começar. Antes, o Ibama já havia concedido a licença parcial de instalação, para o início do canteiro de obras.

Segundo o Ibama, o licenciamento foi marcardo por “robusta análise técnica e resultou na incorporação de ganhos socioambientais. Entre eles, a garantia de vazões na Volta Grande do Xingu suficientes para a manutenção dos ecossistemas e dos modos de vida das populações ribeirinhas”.

A possibilidade de seca na Volta Grande do Rio era uma das principais críticas da comunidade indígena local, biólogos e ambientalistas.

O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, havia afirmado na semana passada que a licença deveria ser publicada a qualquer momento e criticou organizações que se colocam contra o projeto do governo federal. “Deveríamos ter orgulho na nossa matriz energética limpa, mas o Congresso Nacional passou a ouvir aqueles que são contra a usina”, disse Lobão na ocasião.

De acordo com nota divulgada pelo Ibama nesta quarta, a licença de instalação prevê que seja construído apenas um canal de derivação, o que reduz o volume de terra que precisará ser escavada na região, reduzindo o impacto ambiental da obra. O Ibama afirma também que houve ganho com “implementação de ações em saúde, educação, saneamento e segurança pública firmadas em Termos de Compromisso entre a Nesa (o consórcio Norte Energia), prefeituras e governo do Estado do Pará.”

Conforme o Ibama, o consórcio Norte Energia terá de investir cerca de R$ 100 milhões em unidades de conservação na bacia do rio Xingu para compensação ambiental.

No começo de março tiveram início as obras de acesso ao local onde será construída a usina pela Norte Energia, consórcio de empresas que reúne estatais e construtoras. Quando a licença parcial para o canteiro foi concedida, o Ministério Público Federal no Pará chegou a conseguir uma liminar para suspender a licença, mas a Advocacia Geral da União (AGU) conseguiu reverter a decisão.

O Ibama diz ainda que “manterá uma equipe técnica exclusiva para acompanhar a instalação de Belo Monte e avaliar o cumprimento das condicionantes”. As condicionantes foram 40 ações e medidas que teriam que ser tomadas para redução dos impactos socioambientais. Foram as condições do Ibama para concessão da licença prévia, que possibilitou o leilão da usina.

O instituto também afirmou que a Fundação Nacional do Índio (Funai) acompanhou os programas no que se refere à população indígena antes de o Ibama conceder a licença de instalação.

Após a conclusão da obra, o Ibama ainda precisará conceder a licença de operação para que a usina passe, definitivamente, a produzir energia.

Obra polêmica
A hidrelétrica de Belo Monte é uma das maiores obras de infraestrutura previstas pelo governo federal e também um dos projetos que enfrenta maior resistência.

Enquanto o governo diz que a obra é necessária para garantir o abastecimento de energia elétrica nos próximos anos para o país, moradores locais, entidades e especialistas destacam que os riscos ambientais e sociais podem ser mais prejudiciais do que os benefícios econômicos da obra.

A hidrelétrica ocupará parte da área de cinco municípios do Pará: Altamira, Anapu, Brasil Novo, Senador José Porfírio e Vitória do Xingu. Altamira é a mais desenvolvida e tem a maior população dentre essas cidades, com 98 mil habitantes, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os demais municípios têm entre 10 mil e 20 mil habitantes.

A região discute há mais de 30 anos a instalação da hidrelétrica no Rio Xingu, mas teve a certeza de que o início da obra se aproximava após a concessão em fevereiro do ano passado, pelo Ibama, da licença ambiental com as 40 condicionantes.

Belo Monte será a segunda maior usina do Brasil, atrás apenas da binacional Itaipu, e custará pelo menos R$ 19 bilhões, segundo o governo federal – há especulações de que a obra custe até R$ 30 bilhões. A usina está prevista para começar a operar em 2015.

Apesar de ter capacidade para gerar 11,2 mil MW de energia, Belo Monte não deve operar com essa potência. Segundo o governo, a potência máxima só pode ser obtida em tempo de cheia. Na seca, a geração pode ficar abaixo de mil MW. A energia média assegurada é de 4,5 mil MW. Para críticos da obra, o custo-benefício não compensa.

 

Fonte: G1

Senado aprova plebiscito sobre criação do Estado de Tapajós

O Senado aprovou na terça-feira um projeto que prevê a realização de uma consulta popular sobre a criação do Estado de Tapajós, como parte da divisão do Estado do Pará. O Congresso já aprovou no início do mês a proposta de consulta popular para a criação do Estado de Carajás. Se a população paraense decidir pela criação dos dois Estados, o Pará não deixará de existir, mas terá seu território dividido em três unidades federativas. Caso seja criado, Tapajós irá abranger 58 por cento do território do Pará e terá 27 municípios da região oeste do Estado, onde vivem aproximadamente 1,7 milhão de pessoas. Carajás englobará 39 municípios ao sul e sudeste do Pará. O plebiscito poderá ser realizado em até seis meses após a promulgação do projeto pelo presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). A organização e a apuração da consulta popular serão feitas pelo Tribunal Regional do Pará, com ajuda do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

 

Fonte: G1

Obama quer tirar a copa de Lula

Certo ou errado, na opinião do blogueiro um equívoco histórico, o ex-presidente Lula não economizou esforços para fazer do Brasil o organizador do Mundial/14. Desde então, nosso país tem dado abundantes razões para arrependimentos. As obras de infra-estrutura não avançam, os aeroportos seguem obsoletos e não existem sinais de que irão melhorar e os estádios, alguns sequer saíram do papel. A única evolução que se percebe é nos custos, cada vez mais inflados. Para completar o desalentado quadro, Ricardo Teixeira, presidente da CBF, caiu em desgraça na FIFA ao ser denunciado pelo presidente da Federação Inglesa de Futebol de ter cobrado propina para votar na Inglaterra para ser sede da Copa/2018. Diante de tantos problemas, os norte-americanos estariam detectando a possibilidade de a FIFA desistir do Brasil e buscar outra opção para 2014. Os Estados Unidos, desde já, colocam-se como candidatos para uma eventual mudança. Assim, Obama estaria se recuperando da derrota que lhe impôs Lula. Todo este noticiário pode ser meramente especulativo mas não dá para negar que faz sentido. Aliás, se a Copa/14 fosse para os EUA, seria uma graça a ser comemorada pelos brasileiros que não têm escola para seus filhos, assistência para a sua saúde, segurança para viver em paz, casa para morar, etc. O Brasil se livraria de um pepino de R$ 25 bilhões, custo estimado para sediar o Mundial.

No Blog Wianey Carlet

Plebiscito

Por João Georgios Ninos

Excito a plebe
A plebe excito
A dar um grito
Um grito breve
E irrestrito
Sumário rito
Que se conserve
Além do mito
Além do escrito
Que seja leve
Porém aflito
De um conflito
Além da verve
Aquém maldito
Porém contrito
Excito a plebe
A plebe excito
A dar um grito
Que se preserve
No infinito
Do veredicto

PORQUE É IMPORTANTE PARA NÓS A CRIAÇÃO DO ESTADO DO TAPAJÓS?

Por Pedro Peloso:

Primeiro, porque o território do atual Estado do Pará é extenso demais e dificulta a sua administração com eficiência e justiça. Nossa região, por estar localizada muito distante da capital, acaba sendo prejudicada pela dificuldade administrativa observada.
Segundo, o nosso desejo de emancipação administrativa já existe há mais de um século. Possui raízes culturais, ou seja, mesmo sendo paraenses, nos sentimos, nos reconhecemos como filhos de um Estado Próprio, Autônomo.
Terceiro, criando o Estado do Tapajós, o governo federal poderá investir melhor na região, gerando mais empregos e distribuindo mais renda, nessa região do Brasil, conforme é o projeto de governo da Presidente Dilma

Quarto, a criação do novo Estado vai nos permitir discutir e implementar um projeto de desenvolvimento que seja capaz de incluir economicamente os excluídos, para erradicar a pobreza verificada em nossos municípios
Quinto, o povo que vai ficar no Pará não vai perder nada. Se por um lado eles vão deixar de arrecadar impostos aqui da região, vão deixar ao mesmo tempo de enviar recursos para as políticas públicas do novo Estado.

Prefeitura de Belterra lança IPTU 2011

A Prefeitura Municipal de Belterra, através da Secretaria Municipal de Administração, Finanças e Planejamento lançou oficialmente o  Imposto Predial Territorial Urbano (IPTU) de 2011 na quinta-feira (12).

Segundo a Secretária de Administração, Finanças e Planejamento – SEMAF, Srª. Claudia Panosso, neste ano o contribuinte terá descontos como forma de incentivar a quitação do imposto, sendo eles:

  1. Cota única: 30% de desconto até o dia 13/06;
  2. Cota única: 20% de desconto até o dia 13/07;
  3. Cota única: 10% de desconto até o dia 13/08;
  4. Pagamento por parcelamento. (1ª Parcela até 13 de junho e 2ª Parcela até 13 de julho)
  5. O pagamento deverá ser efetuado nas agências da Caixa Econômica Federal (em Belterra, na Casa Lotérica).

Porque sou a favor do novo Estado de Tapajós

Texo de Caetano Scannavino Filho — um paulistano que vive em Santarém há 23 anos, visivelmente apaixonado pela região e coordenador da ONG Projeto Saúde e Alegria 

A discussão sobre a divisão do Pará pode e deve ser nacional. No entanto, o Brasil precisa entender a Amazônia. Fala-se muito na sua internacionalização, mas o que se precisa mesmo é nacionalizá-la, sobretudo para que o principal centro econômico e de formação de opinião – o eixo São Paulo-Rio – compreenda melhor suas realidades, desafios, culturas e oportunidades de negócios.

Aí deixará de enxergá-la como um “ônus” que só tem conflitos e desmates, e perceberá que temos um grande “bônus” nas mãos, uma riqueza imensurável que, se manejada de forma sustentada e includente, poderá impactar o nosso Produto Interno Bruto (PIB) e justificar que o Brasil, o “país do futuro” que ouvíamos na infância, chegou.

Há vários projetos para criação de novos Estados tramitando no Congresso.

Nesse caso, a lógica comum do pensamento vai ser sempre tender para o oportunismo, os custos de implantação, a solução que não é solução, entre outros argumentos coerentes. Mas não podemos colocar toda farinha no mesmo saco – aliás, estaríamos escondendo as delicias da farinha “puba” do Tapajós, algo muito típico e especial da nossa região.

É importante entender que cada caso é um caso.

Tratarei aqui da Amazônia – onde municípios têm o tamanho de Estados e estes, de países – mais especificamente da nossa região do Baixo Amazonas.

Santarém (Pará)Santarém: o município polo do Baixo Amazonas, não vê acontecer políticas estaduais sendo aplicadas e/ou adaptadas para a sua realidade

Distâncias e falta de políticas adaptadas à realidade do Oeste

A proposta pelo Estado do Tapajós não consiste na divisão de uma área já interligada como o Triângulo Mineiro, mas sim de uma parcela imensa da Amazônia, sem facilidades de transporte, sem energia, sem comunicação, sem saúde, sem acesso à educação, com contextos bastante distintos dentro de um mesmo Pará.

A região de Santarém, município polo do Baixo Amazonas, está a quase 1.000 quilômetros de Belém ou de Manaus (1 hora de avião ou 2,5 dias de barco), não tem poder significativo para eleger governador (decidido no eixo Belém-Ananindeua, de maior concentração populacional) e tampouco vê acontecer políticas estaduais sendo aplicadas e/ou adaptadas para a realidade do Oeste do Estado.

Nascido em São Paulo e morador santareno há 23 anos, nunca fui um entusiasta pela divisão do Pará e sempre acreditei que uma gestão estadual descentralizada poderia responder em parte às demandas da região Oeste.  Depois de testemunhar mais de 5 sucessões, porém, com 5 governos de “a” a “z”, percebi que a coisa é mais embaixo. É de identidade territorial mesmo.

Poderia discorrer sobre “somos esquecidos”, “excluídos”, mas devemos lançar o debate para frente. A região do Baixo Amazonas tem uma dinâmica própria, está na confluência de importantes rios, no ponto final (ou inicial) da rodovia BR-163, que está sendo asfaltada, ligando-a com o centro do país, num processo ainda intenso de ocupação, de expansão da fronteira agrícola e de empreendimentos mineradores e de energia, entre outros.

Fronteira altamente estratégica

Enfim, trata-se de uma fronteira altamente estratégica para o futuro da Amazônia, situada no meio entre o “já desmatado” (leste, sentido Belém) e o “desmatamento a ser evitado” (extensões florestais a oeste, sentido Manaus), demandando há tempos de uma governança própria que atenda a suas realidades, contextos, desafios e cultura a partir de sua identidade regional. Isto já numa Amazônia com sérios problemas de governança.

Não sejamos ingênuos se, em uma primeira eleição ao governo do futuro Estado de Tapajós, tivermos na disputa um candidato oriundo de Manaus e outro de Belém, mas não tratamos aqui de um momento no curto prazo da história, e sim de fazer historia para as próximas décadas.

Pensar no futuro é vislumbrar o potencial do Tapajós como o Estado verde da União, com suas unidades de conservação, vocação florestal, condições propicias para negócios sustentáveis, ecoturismo, serviços ambientais… quem sabe um modelo de desenvolvimento “2.0” que agregue o social, o econômico, o ambiental, o cultural e possa impulsionar uma outra visão para o resto do país.

BR-163: a rodovia que liga as cidades de Cuiabá a Santarém está sendo asfaltada

Diálogo mais direto com Brasília do que com Belém

Na história recente dessa região cheia de problemas, a mobilização em torno da “guerra da soja”, culminando num positivo acordo de moratória, do ordenamento territorial com a criação de novas áreas protegidas, do reenquadramento de grandes empreendimentos (mineração, agronegócio, etc) em prol de mais responsabilidade socioambiental, do “Plano BR-163 Sustentável”, da criação do primeiro Distrito Florestal Sustentável (DFS) do país, entre outros exemplos, partiu muito mais dos atores locais (públicos, empresariais, sociais) articulados do que de iniciativas da gestão estadual – em geral “participassiva” ou contrária ou obrigada a fazer por pressão – mesmo quando de sua competência.

A ausência e/ou inadequação do ente estadual no atendimento às peculiaridades do Médio Amazonas acarretou há tempos uma cultura de diálogo muito mais direta da região com Brasília do que com Belém. Isto também tem custos.

E temos que admitir que custos são inevitáveis quando se cria um novo Estado. Mas não pretendo retrucar falando das receitas de ICMS da BR-163 (ainda maiores quando asfaltada), dos impostos/compensações dos empreendimentos mineradores (Juruti, Trombetas), entre outros recursos financeiros que vão para Belém e não retornam na mesma proporção à região.

O fato é que, se formos simplificar a análise da sustentabilidade ao numero de habitantes x impostos, então é melhor excluir a Amazônia do mapa, fechar os olhos para as oportunidades e potenciais e esquecer da sua importância para o país e o mundo, além de não querer entender que sem solução para o social não se resolve o ambiental. De uma certa forma, São Paulo precisa, sim, pagar a conta da Amazônia hoje para a Amazônia sustentar São Paulo amanhã.

Sonhar não é proibido

Sim, é um desafio imenso, uma batalha constante, mas sonhar não é proibido. Não é nem essa questão dos outros sempre estarem decidindo pela gente, dos “mocorongos” (termo aos nascidos em Santarém) também serem cidadãos brasileiros…

Só queremos uma chance para o debate, mas que vá além do dizer “não” apenas por causa de outros projetos de criação de novos Estados…de se abrir um precedente perigoso…de farra de políticos…de mais salários para deputados e senadores… O que foi aprovado no Congresso não foi a criação do Estado do Tapajós, mas sim um processo de consulta popular, do qual virão à tona os prós e contras. Enfim, uma discussão extremamente saudável.

Mapa do novo Estado do Tapajós, onde municípios têm o tamanho de Estados e estes, de países

Para os radicalmente contrários, serve o consolo do eixo Belém-Ananindeua também participar do plebiscito, o que torna sua aprovação muito difícil. Ser a favor ou contra o Estado do Tapajós é uma coisa. Ser favorável ao debate de preferência qualificado é outra. Se não surgir um novo Estado no Pará, que o debate ao menos resulte em soluções mais permanentes (politicas de “Estado”, no sentido da palavra) para essa importante e determinante região e para o futuro da Amazônia.

Perdão pela extensão da mensagem, mas se já é difícil o Brasil entender a Amazonia, mais ainda é compreender os “Parás”. Para os interessados em entender mais como surgiu esse movimento secular pelo Tapajós, segue linkpara um post recente do jornalista Manoel Dutra.

Plebiscito do Tapajós e Carajás aprovados

O projeto que convoca o plebiscito para criação do Estado do Tapajós acaba de ser aprovado na Câmara dos Deputados.

A votação foi feita pelo colégio dos líderes de partido.

Apenas o PSOL votou contra a matéria.

O líder do governo Dilma Rousseff na Casa ainda tentou adiar a votação da matéria, mas o ex-deputado federal Paulo Rocha (PT), presente na sessão, entrou no circuito e conseguiu abrir caminho para votação.

O plebiscito para criação do Estado do Carajás foi aprovado logo em seguida.

No próximo ano, a população do Pará, através de consulta popular, deverá decidir se cria ou não os dois novos estados.

O vereador Reginaldo Campos (PSB), que está em Brasília desde o início da semana, acompanhou a votação. Assim como os secretários Inácio Corrêa (Governo e Infraestrutura), Arildo Nogueira(Turismo) e Francisco Lopes (Integração Regional).

O presidente do PPS em Santarém, Guilherme Taré Moura, foi outro que acompanhou a votação vitoriosa do plebiscito para o Tapajós e Carajás.

No Blog do Jeso

Belterra completará 77 anos de fundação

 Casa da Vila Mensalista
Há 77 anos nascia uma vila americana no meio da floresta amazônica, com casas construídas em palha e em madeira de lei. A “bela terra”, escolhida pelos norte-americanos da Companhia Ford Industrial do Brasil, gerou emprego e renda para trabalhadores de diversos lugares do Brasil e de países vizinhos. Belterra foi fundada no dia 04 de Maio de 1934 pelo magnata Henry Ford, proprietário da empresa automobilística Ford Motor Company.
 
 Seringueira
O Projeto Ford iniciou em Fordlândia, primeira cidade americana construída as margens do rio Tapajós. Entretanto, não houve como continuar o empreendimento por causa de diversos fatores prejudiciais as plantações de seringueira. Por esse motivo procuraram outro lugar para dar início a um novo plantio da hevea brasiliensis. Assim nascia Belterra que pertenceu a Companhia Ford até o ano de 1945 quando foi renegociada com o governo brasileiro. Nesses onze anos foram construídas casas, escolas, igrejas, hospital, clube social, caixas d’água, praças, campo de futebol e de golfe, entre outros imóveis. Durante anos a vila se destacou por possuir estrutura superior a das outras cidades do Brasil, principalmente por ser no meio da selva, e por produzir látex no auge do comércio da borracha. Somente no ano de 1995, a vila foi emancipada e em 1997 passou a ter seu primeiro prefeito eleito pelo povo.
 
Trilha da Preciosa – Bairro Santa Luzia
Atualmente, Belterra foi integrada ao PAC das Cidades Históricas do Brasil. Sua história, seus imóveis antigos, artesanato local, praias e trilhas ecológicas são os principais atrativos turísticos. O progresso trouxe a realidade vivida nos grandes centros urbanos, mas a “Princesa da Serra” não perde sua característica de lugar pacato e com povo hospitaleiro.
 
A tradicional figura do pescador / Foto Mizael Santos
A cidade também se destaca por possuir comunidades com diferentes realidades: zona urbana, rural e ribeirinha. Para muitos a localidade se resume no centro urbano, mas Belterra possui uma grande área e dentro dela existe a Floresta Nacional do Tapajós. As culturas tradicionais, como a produção de farinha, tucupi, tarubá e derivados da mandioca assim como o artesanato criado com matéria-prima extraída da floresta, enriquecem a história e a cultura do povo belterrense.
 
  Artesanato Maguari / Foto Tamará Saré
A cidade de Belterra tem um grande potencial turístico que aos poucos está crescendo e mantendo o que conquistou durante os anos. Os eventos culturais e competições esportivas são constantes e atraem público de outros lugares. No mês de maio a atenção é voltada para a comemoração do aniversário de fundação e sua tradicional Gincana Cultural, que neste ano será realizada no mês de julho. A programação do aniversário de Belterra será entre os dias 03 e 07 de maio com a Feira da Produção Familiar, final da Copa de inverno, inaugurações em várias comunidades e atrações culturais e musicais, com grupos e com cantores da região.
 
Gincana Cultural / Foto Mizael Santos
 
Praça da Estrada 8
 
  Frutas Típicas
*Matéria do Jornal A Corrente veiculada na edição do dia 23 de Abril de 2011
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